Nota em memória do antropólogo André Lopes Neves

    Com enorme tristeza compartilhamos a notícia da partida, em 21 de agosto de 2026, do antropólogo, cineasta e indigenista André Luís Lopes Neves. André cursou Ciências Sociais na FFLCH-USP, e realizou seu mestrado e doutorado junto ao Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da USP, orientado por Renato Sztutman. Integrava, desde 2019, o Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Mỹky. Com o Coletivo, realizou muitos filmes, muitos dos quais foram premiados no Brasil e no exterior. Sua pesquisa com os povos Manoki e Myky, do Noroeste do Mato Grosso, remonta a 2008, quando trabalhava na OnG OPAN (Operação Amazônia Nativa). Desde então, sempre atuou com eles, seja na realização colaborativa de filmes, seja apoiando suas lutas pela terra e por direitos. Em 2011, começou a oferecer oficinas de audiovisual para diferentes povos indígenas, filmando, editando e dirigindo vídeos, sempre de maneira compartilhada. Em 2023, defendeu sua tese de doutorado Ijã Mytyly: os Manoki e os Myky em seus novos caminhos-histórias audiovisuais, que foi honrada em 2024 com o Prêmio USP de Inovação e publicada em 2025.
    Seus filmes, com o Coletivo e outros parceiros, estão disponíveis no site do Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (LISA-USP). André também deixou no LISA seu acervo de filmagens, fotos e arquivos com os Manoki e Myky, contendo mais de 70 horas de vídeos e 40 fotos analógicas. Propôs a digitalização do material para a constituição de um acervo compartilhado com as pessoas protagonistas e co-autoras das imagens. Estava editando também no LISA um novo filme com Typju Myky, parceiro de algumas de suas obras. Trabalhou intensamente mesmo durante um difícil tratamento contra uma grave doença, enfrentada com extrema coragem. 

    Há alguns anos André enviava seus emails com o nome “Cine Indígena Compartilhado”, e usava o seu nome na língua manoki, Tupxi, antes do @usp.br e para assinar os filmes que realizava com o Coletivo Ijã Mytyli. Apesar de partir tão cedo, aos 43 anos, André Tupxi deixa um legado notável para a antropologia e para o cinema, áreas que soube tão bem fazer dialogar. Poucos levaram tão a sério a ideia de uma antropologia compartilhada, fazendo da colaboração com seus amigos indígenas – Myky e Manoki, mas também Aparai e Wayana, e tantos outros – o motor de seu trabalho e de sua vida. 

Universidade de São Paulo
Departamento de Antropologia (DA-USP)
Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS-USP)
Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (LISA-USP)
Centro de Estudos Ameríndios (CEstA-USP)

Velório André Luís Lopes Neves
das 9 às 15h - dia 22/08 (sábado)
Sala 3
Cerimônia de cremação às 15h
Cemitério Memorial Necrópole Ecumênica
Av. Dr. Nilo Peçanha, 50 - Marapé, Santos - SP, 11070-908